Dom Antonio Augusto Dias: Direito à Vida e as Eleições de 2010
O direito à vida é o primeiro dos direitos naturais, é um dos direitos supra-estatais (como ensinava o eminente jurista Pontes de Miranda – Comentários à Constituição de 1946, 3ª ed., Tomo IV, pg. 242-243: “não existem conforme os cria ou regula a lei; existem a despeito das leis que os pretendem modificar ou conceituar. Não resultam das leis, precedem-nas; não têm o conteúdo que elas lhes dão, recebem-no do direito das gentes”), porque diz respeito à própria natureza humana e daí o seu caráter inviolável, intemporal e universal (cf. Manoel Gonçalves Filho, Comentários à Constituição Brasileira de 1988, Saraiva 1990, vol. I, p. 23).
Direito originário, condicionante dos demais direitos da personalidade – direito fundamental absoluto – o direito à vida é um direito-matriz, explicitamente mencionado no artigo 5º da Constituição Brasileira de 1988 (“à inviolabilidade do direito à vida” é gratuito ‘petreamente’, isto é, qualquer ação contra a vida, toda medida que permite interrompê-la em seu desenvolvimento intra-uterino ou em qualquer fase da existência, seja qual for a justificação, é, inequivocamente, inconstitucional e anticonstitucional e, portanto, um ato de lesa-sociedade).
Convém considerar que desde a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889, o caráter laical do Estado Brasileiro marcou profundamente a legislação do país, e nas Constituições de 1891, 1934, 1937, 1946, 1967 e 1988, tutelaram, e atualmente continua tutelando, os direitos humanos fundamentais: “à liberdade, à segurança individual e à propriedade” (Constituições de 1891, 1934, 1937), “à inviolabilidade dos direitos concernentes à vida, à liberdade, à segurança e à propriedade” (Constituições de 1946, art. 141 e de 1967, art. 150), “à inviolabilidade do direito à vida” (Constituição de 1988, art. 5º).
Certamente esse Estado brasileiro laical, desvinculado logicamente da religião, mas respeitando todas as crenças existentes no Brasil, não se inspirou em princípios e em sentimentos religiosos ao redigir esses artigos que assegura constitucionalmente os direitos fundamentais dos seus cidadãos e certamente fundamentaram-se somente na dignidade da pessoa humana e não apenas na fé religiosa.
A ordem jurídica, repetindo, – não só a religiosa – é quem socialmente exige o respeito e a proteção ao bem supremo da pessoa, que é a vida humana em todas as fases de suas manifestações. Reconhece assim que a vida humana jamais é uma concessão jurídico-estatal e, inclusive, o direito a ela transcende ao direito da pessoa sobre si mesma, mas é um direito natural anterior à constituição do Estado e da própria sociedade.
A pessoa humana não vive só para si, mas também, para a sociedade, e para o bem do Estado, já que ela não só é portadora de humanidade, mas é patrimônio da humanidade.
Nelson Hungria, conhecido e afamado jurista brasileiro, afirmava que quem pratica o aborto não opera ‘in materiam’, mas atua contra um ser humano na ante-sala da vida civil, o que acaba acarretando com esse ato homicida numa civilização da violência e da morte.
O titular da vida humana é unicamente a própria pessoa, que desde a sua concepção tem seus direitos garantidos (conforme o artigo 2º do Código Civil Brasileiro de 2002, o artigo 41 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos e o preâmbulo da Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança), e tem personalidade jurídica formal, desde seu momento inicial na fecundação, embora adquira só com o nascimento a sua personalidade jurídica material.
Ainda que não nascida tem capacidade de direito, não de exercício, devendo aos pais ou o curador zelar pelos interesses como são amparados pelo sistema jurídico brasileiro.
Não é válido portanto o argumento de que cabe à mulher o direito absoluto de dispor livremente da sua saúde reprodutiva, pois uma vez que há uma vida semelhante à sua no seu útero e em desenvolvimento, esse caráter absoluto deixa de existir. Uma vez que é mãe a sua saúde reprodutiva continuará sendo um direito associado a deveres constitucionais básicos: assistir socialmente ao filho (cf., art. 203), proporcionar-lhes alimento (cf., art. 5º, LVII), cuidar do filho se tem anomalias físicas ou psíquicas (cf, art. 227, § 1º, II). Inclusive se corre o risco de vida estando grávida ou se o filho resultou de um estrupo, deve saber que a vida humana concebida é um bem jurídico maior e qualquer ação contra ela é um crime horrendo, ainda que não se aplique uma pena contra ele (caput do artigo 128, do Código Penal Brasileiro). A exclusão da culpabilidade não significa a exclusão da juridicidade, já que o aborto sempre é um crime contra a pessoa humana (conforme o Título I – “Dos crimes contra a Pessoa”, parte especial do Código Penal Brasileiro).
O crime do aborto existe sempre e mesmo que haja discussão acadêmicas, política-partidárias, legislativas e, até mesmo, haja um plebiscito com resultado a favor do aborto legal, não se irá tornar ético um ato profundamente anti-ético, anti-social e, sobretudo, anti-natural e sangrento.
Nesse período de campanha eleitoral quando se procura uma renovação dos quadros executivos e legislativos do país e dos estados brasileiros o tema do aborto e demais temas correlatos – eutanásia, anticoncepção abortiva, distanásia, segurança pública, atendimento hospitalar público – podem ficar escondidos, sob o manto midiático de manchetes chamativas a respeito das pesquisas de opinião pública ou do crescimento econômico-social promovido por governantes e partidos a eles ligados.
O povo brasileiro não pode continuar sendo ingênuo e continuar na atitude de omissão política. O exemplo que ele deu na campanha ficha limpa é demonstrativo do seu poder transformador da sociedade.
É necessário que os brasileiros tirem a venda dos olhos e enxerguem com nitidez nos olhos dos seus candidatos e vejam neles a intenção, sem eufemismos de palavras, de defender realmente a vida humana desde a sua concepção até o seu final natural, que eles e elas mostrem nos seus programas de governo e nos seus projetos legislativos a vontade política de promover a natureza e a finalidade social da família brasileira fundada sobre o casamento entre o homem e a mulher, e que respeitem de verdade a inteligência dos cidadãos, não enganando-os mais com palavras e slogans políticos vazios.
Votar conscientemente é um direito e não só um dever político! Enganar conscientemente e “marqueteiramente” os eleitores é um crime contra a nação! Governar e legislar a favor da Vida Limpa, sem manchas ou poças sanguinolentas, é a esperança dos milhões de eleitores que são a favor da vida do brasileiro!
O Autor é Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro e médico-pediatra.
Fonte: Veritatis
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Este blog tem como objetivo evangelizar através de noticias ,e acontecimentos no mundo de hoje ,sempre buscando uma melhor assimilação da palavra de Deus e sempre mantendo a fidelidade ao santo evangelho e a doutrina da santa Igreja. Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Mc 16,15
“Quando rezamos, falamos com Deus. Quando lemos a Sagra Escritura, Deus fala conosco.” Santo Isidoro
domingo, 5 de setembro de 2010
sábado, 4 de setembro de 2010
Os livros proféticos da bíbliaLivros Proféticos
Os livros proféticos da bíbliaLivros Proféticos
Introdução: Profeta (grego) - aquele que fala em nome de ..., aquele que prediz o futuro e interpretar o presente. Nabi (hebraico) - o que é chamado. Livros Proféticos - são os livros que contém os escritos e a pregação dos profetas, que desempenham função fundamental no meio do povo de Deus.
Divisão dos livros proféticos: Profetas Maiores - Isaías, Jeremias (lamentações, Baruc - alguns colocam como um profeta maior por ter sido escrito por um secretario de Jeremias, é considerado menor pelo tamanho), Ezequiel e Daniel;
Profetas Menores- ( Não são chamados menores pela importância mas pelo escrito pequeno) Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.
Estilo Profético:
Os profetas eram antes de tudo pregadores, raramente escreviam, por isso torna-se manifesto que os oráculos e sermões dos profetas foram preservados pelos seus discípulos, que os editaram. O processo de composição é lento e gradual, muitas vezes o seu plano é um pouco vago.
Mensagem do Profeta:
O ponto de partida da vocação profética está numa profunda experiência de Deus. O profeta faz uma leitura dos sinais dos tempos, por isso é que muitas vezes sua mensagem se centra no âmbito social e político. Denunciam os erros do povo e das autoridades: Idolatria, misticismo, ritualismo, culto vazio, falsos profetas, sacerdotes infiéis, pecados da monarquia, imoralidade dos comerciantes, avareza e cobiça dos latifundiários ...
Lamentações
Coleção de 5 cânticos, que choram a queda da cidade Santo Jerusalém em 587 a C. Os quatros. Cânticos de luto, que foi composto pelos judeus que permaneceram no pais após a destruição de Jerusalém.
Primeiro Cântico - O poeta e a cidade personificada lamentam a destruição de Jerusalém; reconhecem a culpa do povo.
Segundo Cântico - O autor lastima a punição de Jerusalém e exorta a cidade à penitencia, Jerusalém pede misericórdia.
Terceiro Cântico - O autor descreve a sua dor diante da desgraça de Jerusalém e sua esperança na Misericórdia divina.
Quarto Cântico - Fala mais uma vez da ruína de Jerusalém castigada segundo a Justiça.
Quinto Cântico - Tem forma de oração (A Vulgata Latina diz que é o cântico de Jeremias). Implora o auxilio de Deus para a ruína de Jerusalém prediz a ruína de Edon povo vizinho de Judá.
Atribui a Jeremias a autoria apoiando-se em II Cr 35,25, mas hoje não se aceita mais pelo argumento de que este estilo poético não se enquadra no estilo espontâneo de Jeremias. Se atribui a algum autor anônimo, teria sido redigido na terra santa, escrito para celebrar este momento da queda de Jerusalém. A igreja lê o livro nos últimos dias da Semana Santa para relembrar o drama do Calvário. É de notar que estes Cânticos fúnebres são perpassados por vivo sentimento de arrependimento e de inabalável confiança em Deus.
Daniel
Hebraico = Deus é meu Juiz - Judeu. Divide-se em duas partes: Canônica (1-12) e Deuterocanonica (13-14).
Canônica divide-se em:
(1-6) Narrativa - Daniel é um hebreu deportado para a Babilônia levado para a corte de Nabucudonosor, onde recebeu o nome de Baltazar, foi fiel a lei de Deus mesmo em ambiente Pagão, onde Deus cumulou-o com dons diversos de sabedoria se tornando um homem notável. Daniel embaraçava o Rei e os seus sabios, onde o Rei reconhecia direta ou indiretamente a santidade do Deus de Daniel. Julga-se que os capítulos de 2-6 foi incluído posterior a Daniel para incutir a confiança em Deus, porque os reis sírios ameaçavam os Judeus para não obedecer a Lei do Senhor.
(7-12) Apocalíptica - O que significa está realidade apocalíptica é porque os povos Judeus eram ameaçados por sírios pagãos. Um autor piedoso quis despertar a esperança e a paz, falando de uma libertação messiânica. Deus interviria nesta situação de opressão dos povos pagãos, instaurando a justiça e a ordem devida, os que ficassem fieis seriam recompensado.
Deuterocanonica - fala da historia de Suzana, uma jovem que Daniel salva por sua sabedoria; a historia dos sacerdotes de Bel, que Daniel desmascara; O dragão que Daniel mata.
Baruc.
Baruc - Bento. Foi companheiro, escriba de Jeremias. Acompanhou Jeremias durante a queda da Cidade Santa.
Baruc de 1-5 é uma coletânea de três peças que supõem o povo de Judá exilado na Babilônia.
As características do livro: Especialmente o louvor à Sabedoria) Br 3,9-4,4; Exortação aos exilados para que não caiam na idolatria do ambiente Babilônico; Chama atenção para a inércia dos ídolos. “Por conseguinte, não os temais”; “Como crer ou dizer que são deuses”; “Quem não vê que não são deuses?”.
O Autor não é Jeremias como geralmente reconhecem os estudiosos. Autor anônimo.
Amós É o mais antigo dos profetas (780-750). Nasceu em Técoa, aldeia ao Sul de Belém (Judá). Dedicava-se a cuidar de gado (Pastor). Deus o chamou a ser profeta em Israel. Homem simples de linguagem franca e rude. Profetizou sobre Jaboatão II - Monarca que tinha lucro na construção das casas, depravação dos costumes, culto idolátrico. Amós censurou os vícios e predisse a salvação para os bons.
Nesse período o Norte e o Sul vivem um grande crescimento econômico e as elites acumulavam muitos bens enquanto boa parte da população vivia na pobreza. Falou contra a hipocrisia e a incoerência de vida.
Oséias (735 - 725): Único profeta nascido no reino do Norte.
O livro se divide em duas partes: 1. As relações de Javé e Israel são simbolizadas pelo casamento de Oseias. Casa com uma mulher leviana (Gomer) que engana; cai na escravidão, depois de abandonar Oseias, mas é resgatada pelo próprio. Significa a união do Senhor com seu povo, violada por Israel pela infidelidade cultuando deuses Cananeus. 2. Israel é censurada pela sua distorção política e religiosa no passado e no presente, e encerra o livro com uma liturgia penitencial.
Usa muito o termo Hesed: Misericórdia, Amor e Bondade de Deus.Deus exige Amor e não sacrifício (Os 6,6).
O centro de seu livro é a imagem do casamento, análoga ao relacionamento de Deus com Israel: Israel é como uma prostituta pois adora Baals (outros deuses), mas Deus é a pura Misericórdia e perdoa Israel.
É o primeiro livro da Bíblia a usar de forma clara a imagem do amor esponsal.
Miqueias - Profetizou sob Joatã, Acaz e Ezequias, reis de Judá. Miqueias não poupa os gananciosos, os credores sem comparação, os comerciantes fraudulentos, as famílias divididas, os sacerdotes e profetas cobiçosos, os chefes tirânicos, os Juizes venais. Principal ponto - 6,8 - praticar a Justiça, amar com misericórdia e proceder humildemente diante de Deus.”
Sofonias - Exerceu sua atividade sob o piedoso rei Josias. Censurou o culto de falsos deuses, modas estrangeiras, injustiça sociais. Mensagem principal é o anuncio do dia do Senhor.
Naum - O livro começa por um salmo. Natural de Elcós, cidade desconhecida, trata da queda de Ninive. O salmo descreve a esplendorosa manifestação de Javé, exprime o calor da alma de Israel diante do seu inimigo tenaz, o povo assírio.
Isaias - (770-687ac) Era filho de uma família ilustre de Jerusalém erudito poeta e estilista. Foi chama do a Ser profeta em 740. Foi conselheiro dos reis Joatã, Acaz e Ezequias em uma época de grande infidelidade do povo e da corte. Este livro é atribuído a escola de Isaias. Isaias pelas profecias messiânicas é considerado o “Evangelista do Antigo Testamento”.
Dividido em 3:
1. Isaias (1-39) provavelmente do tempo do profeta;
Supõe que é descrito uma condição histórica em que viveu o profeta Isaias. É uma coleção de dizeres, dispostas sem estrita ordem cronológica, contem notáveis profecias messiânicas. Em (Is 7,10-25) o messias aparece com Emanuel, que a de nascer de uma Jovem (Virgem); em (9,1-7) nasce o Menino prometido como “Admirável conselheiro, Deus forte, Pai do século futuro, Príncipe da Paz”. (11,1-9) o trono de Davi floresce e produz um rebento, que é o Messias, este faz descer sobre a terra a plenitude do Espirito do Senhor e cumpre as promessas de restauração da natureza violentada pelo pecado. Por tudo isto é considerado uma dos maiores profetas do Antigo testamento.
2. Isaias (40-45) exílio da babilônia;
De autores anônimos, estes pregaram e escreveram na Babilônia, anunciando aos Israelitas ai deportados a iminente libertação e a volta à terra Santa.
Pontos falados: - Jerusalém e o templo estão destruídos e a sua restauração é profetizada. - A nação que retém os Judeus é a babilônia, opulenta e arrogante, mas prestes a cair em ruínas. - Os leitores são estimulados à confiança e à alegria, pois se aproxima o fim do exílio (41,10-13).
Aqui estão os quatro “Cânticos do Servo de Javé”, que falam da expiação prestada por um Servo inocente em favor dos seus irmãos pecadores. São profecias messiânicas, que projetam nova luz sobre o sentido do sofrimento; este pode recair sobre os justos, que assim prestam satisfação pelos pecados alheios. Estes cânticos é dividido do seguinte modo:
A vocação do Servo de Javé Is 49,1-6; Os predicados do Servo de Javé Is 42,1-4; A ingrata missão do Servo de Javé Is 50,4-9; A morte e a glorificação do Servo de Javé Is 52,13-53,12
3. Isaias (56-66) após o exílio, na época da restauração do povo em sua terra.
Trata de consola r e exortar os judeus recentemente repatriados do exílio. Israel de novo na terra santa constitui uma nova comunidade religiosa; parece, porém, que é infiel à Lei do Senhor; está desanimado dos obstáculos que se opõem à reconstrução do Templo e da Cidade Santa; o profeta fala da Nova Jerusalém todas as profecias sobre elas.
Pontos fundamentais: - Jerusalém se encontra parcialmente povoada mas não devidamente reconstruída; - as cidades menores ainda estão devastadas; - O templo ainda esta em ruínas apesar de si pensar em reconstruir; - o chefe das comunidades se preocupam mais consigo do que com o povo; mas o profeta diz que o Senhor mandará salvação.
Habacuc - É um profeta que não pode ser chamado por homônimo de Daniel. O Ponto principal do seu livro é “Por que o ímpio prevalece contra o justo e insolentemente o oprime?”. O Justo vive pela sua fidelidade.
Ageu - Da inicio ao ultimo período dos profetas, período pós-exilio que a ter uma linguagem de restauração diferente de antes do exílio que era censura e ameaça de castigo, durante o exílio era consolação.
Ageu acompanha o povo após o exílio da Babilônia. Diante das ameaças de desanimo o profeta da reconstrução do templo. Fala que está reconstrução é condição da vinda de Javé e do seu reino.
Zacarias - Após a profecia de Ageu aparece Zacarias que se refere a oito visões do profeta que tratam da salvação e da restauração de Israel, seguem também oráculos messiânicos (1-8) é considerado de autoria de Isaias. De (9-14) é muito diferente são anônimos, falam de fatos históricos difíceis de precisar e a ultima parte é como um apocalipse que descreve a gloria de Jerusalém dos últimos tempos.
Malaquias - Significa “meu mensageiro”. O livro consta de seis seções onde se tem o mesmo esquema que é: o Senhor lança uma afirmação, e o povo e os sacerdotes a contestam, mas Deus sustenta. O Profeta anuncia o Dia do Senhor, que purificará sacerdotes e levitas, punirá o mau e concederá ao Justo o triunfo.
Abdias - É o mais curto dos livros proféticos e um dos mais difíceis, foi dirigido contra Edom, povo vizinho de Judá, sob rei Jorã. O livro exalta a justiça e o poder de Javé, que age como defensor do direito.
Joel - Possui duas partes:
1. 1,2 - 2,27 - refere-se a uma invasão de gafanhotos que flagela Judá e da ocasião para uma liturgia de suplica e luto a resposta do Senhor é fartura e reconstrução.
2. 2,28-3,21 - refere-se ao Dia do Senhor caracterizado pela efusão do espirito.
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por Escola de Formação Shalom
Introdução: Profeta (grego) - aquele que fala em nome de ..., aquele que prediz o futuro e interpretar o presente. Nabi (hebraico) - o que é chamado. Livros Proféticos - são os livros que contém os escritos e a pregação dos profetas, que desempenham função fundamental no meio do povo de Deus.
Divisão dos livros proféticos: Profetas Maiores - Isaías, Jeremias (lamentações, Baruc - alguns colocam como um profeta maior por ter sido escrito por um secretario de Jeremias, é considerado menor pelo tamanho), Ezequiel e Daniel;
Profetas Menores- ( Não são chamados menores pela importância mas pelo escrito pequeno) Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.
Estilo Profético:
Os profetas eram antes de tudo pregadores, raramente escreviam, por isso torna-se manifesto que os oráculos e sermões dos profetas foram preservados pelos seus discípulos, que os editaram. O processo de composição é lento e gradual, muitas vezes o seu plano é um pouco vago.
Mensagem do Profeta:
O ponto de partida da vocação profética está numa profunda experiência de Deus. O profeta faz uma leitura dos sinais dos tempos, por isso é que muitas vezes sua mensagem se centra no âmbito social e político. Denunciam os erros do povo e das autoridades: Idolatria, misticismo, ritualismo, culto vazio, falsos profetas, sacerdotes infiéis, pecados da monarquia, imoralidade dos comerciantes, avareza e cobiça dos latifundiários ...
Lamentações
Coleção de 5 cânticos, que choram a queda da cidade Santo Jerusalém em 587 a C. Os quatros. Cânticos de luto, que foi composto pelos judeus que permaneceram no pais após a destruição de Jerusalém.
Primeiro Cântico - O poeta e a cidade personificada lamentam a destruição de Jerusalém; reconhecem a culpa do povo.
Segundo Cântico - O autor lastima a punição de Jerusalém e exorta a cidade à penitencia, Jerusalém pede misericórdia.
Terceiro Cântico - O autor descreve a sua dor diante da desgraça de Jerusalém e sua esperança na Misericórdia divina.
Quarto Cântico - Fala mais uma vez da ruína de Jerusalém castigada segundo a Justiça.
Quinto Cântico - Tem forma de oração (A Vulgata Latina diz que é o cântico de Jeremias). Implora o auxilio de Deus para a ruína de Jerusalém prediz a ruína de Edon povo vizinho de Judá.
Atribui a Jeremias a autoria apoiando-se em II Cr 35,25, mas hoje não se aceita mais pelo argumento de que este estilo poético não se enquadra no estilo espontâneo de Jeremias. Se atribui a algum autor anônimo, teria sido redigido na terra santa, escrito para celebrar este momento da queda de Jerusalém. A igreja lê o livro nos últimos dias da Semana Santa para relembrar o drama do Calvário. É de notar que estes Cânticos fúnebres são perpassados por vivo sentimento de arrependimento e de inabalável confiança em Deus.
Daniel
Hebraico = Deus é meu Juiz - Judeu. Divide-se em duas partes: Canônica (1-12) e Deuterocanonica (13-14).
Canônica divide-se em:
(1-6) Narrativa - Daniel é um hebreu deportado para a Babilônia levado para a corte de Nabucudonosor, onde recebeu o nome de Baltazar, foi fiel a lei de Deus mesmo em ambiente Pagão, onde Deus cumulou-o com dons diversos de sabedoria se tornando um homem notável. Daniel embaraçava o Rei e os seus sabios, onde o Rei reconhecia direta ou indiretamente a santidade do Deus de Daniel. Julga-se que os capítulos de 2-6 foi incluído posterior a Daniel para incutir a confiança em Deus, porque os reis sírios ameaçavam os Judeus para não obedecer a Lei do Senhor.
(7-12) Apocalíptica - O que significa está realidade apocalíptica é porque os povos Judeus eram ameaçados por sírios pagãos. Um autor piedoso quis despertar a esperança e a paz, falando de uma libertação messiânica. Deus interviria nesta situação de opressão dos povos pagãos, instaurando a justiça e a ordem devida, os que ficassem fieis seriam recompensado.
Deuterocanonica - fala da historia de Suzana, uma jovem que Daniel salva por sua sabedoria; a historia dos sacerdotes de Bel, que Daniel desmascara; O dragão que Daniel mata.
Baruc.
Baruc - Bento. Foi companheiro, escriba de Jeremias. Acompanhou Jeremias durante a queda da Cidade Santa.
Baruc de 1-5 é uma coletânea de três peças que supõem o povo de Judá exilado na Babilônia.
As características do livro: Especialmente o louvor à Sabedoria) Br 3,9-4,4; Exortação aos exilados para que não caiam na idolatria do ambiente Babilônico; Chama atenção para a inércia dos ídolos. “Por conseguinte, não os temais”; “Como crer ou dizer que são deuses”; “Quem não vê que não são deuses?”.
O Autor não é Jeremias como geralmente reconhecem os estudiosos. Autor anônimo.
Amós É o mais antigo dos profetas (780-750). Nasceu em Técoa, aldeia ao Sul de Belém (Judá). Dedicava-se a cuidar de gado (Pastor). Deus o chamou a ser profeta em Israel. Homem simples de linguagem franca e rude. Profetizou sobre Jaboatão II - Monarca que tinha lucro na construção das casas, depravação dos costumes, culto idolátrico. Amós censurou os vícios e predisse a salvação para os bons.
Nesse período o Norte e o Sul vivem um grande crescimento econômico e as elites acumulavam muitos bens enquanto boa parte da população vivia na pobreza. Falou contra a hipocrisia e a incoerência de vida.
Oséias (735 - 725): Único profeta nascido no reino do Norte.
O livro se divide em duas partes: 1. As relações de Javé e Israel são simbolizadas pelo casamento de Oseias. Casa com uma mulher leviana (Gomer) que engana; cai na escravidão, depois de abandonar Oseias, mas é resgatada pelo próprio. Significa a união do Senhor com seu povo, violada por Israel pela infidelidade cultuando deuses Cananeus. 2. Israel é censurada pela sua distorção política e religiosa no passado e no presente, e encerra o livro com uma liturgia penitencial.
Usa muito o termo Hesed: Misericórdia, Amor e Bondade de Deus.Deus exige Amor e não sacrifício (Os 6,6).
O centro de seu livro é a imagem do casamento, análoga ao relacionamento de Deus com Israel: Israel é como uma prostituta pois adora Baals (outros deuses), mas Deus é a pura Misericórdia e perdoa Israel.
É o primeiro livro da Bíblia a usar de forma clara a imagem do amor esponsal.
Miqueias - Profetizou sob Joatã, Acaz e Ezequias, reis de Judá. Miqueias não poupa os gananciosos, os credores sem comparação, os comerciantes fraudulentos, as famílias divididas, os sacerdotes e profetas cobiçosos, os chefes tirânicos, os Juizes venais. Principal ponto - 6,8 - praticar a Justiça, amar com misericórdia e proceder humildemente diante de Deus.”
Sofonias - Exerceu sua atividade sob o piedoso rei Josias. Censurou o culto de falsos deuses, modas estrangeiras, injustiça sociais. Mensagem principal é o anuncio do dia do Senhor.
Naum - O livro começa por um salmo. Natural de Elcós, cidade desconhecida, trata da queda de Ninive. O salmo descreve a esplendorosa manifestação de Javé, exprime o calor da alma de Israel diante do seu inimigo tenaz, o povo assírio.
Isaias - (770-687ac) Era filho de uma família ilustre de Jerusalém erudito poeta e estilista. Foi chama do a Ser profeta em 740. Foi conselheiro dos reis Joatã, Acaz e Ezequias em uma época de grande infidelidade do povo e da corte. Este livro é atribuído a escola de Isaias. Isaias pelas profecias messiânicas é considerado o “Evangelista do Antigo Testamento”.
Dividido em 3:
1. Isaias (1-39) provavelmente do tempo do profeta;
Supõe que é descrito uma condição histórica em que viveu o profeta Isaias. É uma coleção de dizeres, dispostas sem estrita ordem cronológica, contem notáveis profecias messiânicas. Em (Is 7,10-25) o messias aparece com Emanuel, que a de nascer de uma Jovem (Virgem); em (9,1-7) nasce o Menino prometido como “Admirável conselheiro, Deus forte, Pai do século futuro, Príncipe da Paz”. (11,1-9) o trono de Davi floresce e produz um rebento, que é o Messias, este faz descer sobre a terra a plenitude do Espirito do Senhor e cumpre as promessas de restauração da natureza violentada pelo pecado. Por tudo isto é considerado uma dos maiores profetas do Antigo testamento.
2. Isaias (40-45) exílio da babilônia;
De autores anônimos, estes pregaram e escreveram na Babilônia, anunciando aos Israelitas ai deportados a iminente libertação e a volta à terra Santa.
Pontos falados: - Jerusalém e o templo estão destruídos e a sua restauração é profetizada. - A nação que retém os Judeus é a babilônia, opulenta e arrogante, mas prestes a cair em ruínas. - Os leitores são estimulados à confiança e à alegria, pois se aproxima o fim do exílio (41,10-13).
Aqui estão os quatro “Cânticos do Servo de Javé”, que falam da expiação prestada por um Servo inocente em favor dos seus irmãos pecadores. São profecias messiânicas, que projetam nova luz sobre o sentido do sofrimento; este pode recair sobre os justos, que assim prestam satisfação pelos pecados alheios. Estes cânticos é dividido do seguinte modo:
A vocação do Servo de Javé Is 49,1-6; Os predicados do Servo de Javé Is 42,1-4; A ingrata missão do Servo de Javé Is 50,4-9; A morte e a glorificação do Servo de Javé Is 52,13-53,12
3. Isaias (56-66) após o exílio, na época da restauração do povo em sua terra.
Trata de consola r e exortar os judeus recentemente repatriados do exílio. Israel de novo na terra santa constitui uma nova comunidade religiosa; parece, porém, que é infiel à Lei do Senhor; está desanimado dos obstáculos que se opõem à reconstrução do Templo e da Cidade Santa; o profeta fala da Nova Jerusalém todas as profecias sobre elas.
Pontos fundamentais: - Jerusalém se encontra parcialmente povoada mas não devidamente reconstruída; - as cidades menores ainda estão devastadas; - O templo ainda esta em ruínas apesar de si pensar em reconstruir; - o chefe das comunidades se preocupam mais consigo do que com o povo; mas o profeta diz que o Senhor mandará salvação.
Habacuc - É um profeta que não pode ser chamado por homônimo de Daniel. O Ponto principal do seu livro é “Por que o ímpio prevalece contra o justo e insolentemente o oprime?”. O Justo vive pela sua fidelidade.
Ageu - Da inicio ao ultimo período dos profetas, período pós-exilio que a ter uma linguagem de restauração diferente de antes do exílio que era censura e ameaça de castigo, durante o exílio era consolação.
Ageu acompanha o povo após o exílio da Babilônia. Diante das ameaças de desanimo o profeta da reconstrução do templo. Fala que está reconstrução é condição da vinda de Javé e do seu reino.
Zacarias - Após a profecia de Ageu aparece Zacarias que se refere a oito visões do profeta que tratam da salvação e da restauração de Israel, seguem também oráculos messiânicos (1-8) é considerado de autoria de Isaias. De (9-14) é muito diferente são anônimos, falam de fatos históricos difíceis de precisar e a ultima parte é como um apocalipse que descreve a gloria de Jerusalém dos últimos tempos.
Malaquias - Significa “meu mensageiro”. O livro consta de seis seções onde se tem o mesmo esquema que é: o Senhor lança uma afirmação, e o povo e os sacerdotes a contestam, mas Deus sustenta. O Profeta anuncia o Dia do Senhor, que purificará sacerdotes e levitas, punirá o mau e concederá ao Justo o triunfo.
Abdias - É o mais curto dos livros proféticos e um dos mais difíceis, foi dirigido contra Edom, povo vizinho de Judá, sob rei Jorã. O livro exalta a justiça e o poder de Javé, que age como defensor do direito.
Joel - Possui duas partes:
1. 1,2 - 2,27 - refere-se a uma invasão de gafanhotos que flagela Judá e da ocasião para uma liturgia de suplica e luto a resposta do Senhor é fartura e reconstrução.
2. 2,28-3,21 - refere-se ao Dia do Senhor caracterizado pela efusão do espirito.
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por Escola de Formação Shalom
Como escutar a Palavra de Deus
Como escutar a Palavra de Deus
Na parábola do semeador Jesus mostrou como há diversas maneiras de se receber a palavra de Deus, que ele compara com uma semente. Segundo Santo Agostinho, “escutar a palavra de Deus é como se alimentar de Cristo”. Ele explicava que há duas mesas na Igreja: a mesa da Eucaristia e a mesa da Palavra. Com isto ele patenteava que a Palavra de Deus é um alimento espiritual. Quem bem se nutria desta refeição santificadora era Maria, a irmã de Marta e Lázaro, elogiada por Jesus pelo fato de O escutar atentamente, deixando todos os outros afazeres.
Aliás, o próprio Cristo aconselharia: “Procurai, antes de tudo o reino de Deus e tudo mais vos será dado em acréscimo” (Mt 6,33). Portanto, estar atento à Palavra constitui a melhor parte da vida do batizado. Ao deixar Deus entrar na mente pela sua Palavra, meditando-a profundamente e fazendo dela a força e o sustentáculo de cada instante o cristão age menos pela emoção, mas solidificado em profundas raízes espirituais. Isto porque há então uma conexão admirável dos esforços humanos com o pensamento divino e se colhe um fruto tanto mais saboroso, quanto maior for a docilidade em se acatar as inspirações celestes advindas da Palavra. A grande questão é saber discernir a voz de Deus da voz humana. Ele fala a cada um de maneira diferente. Faz ressoar a sua Palavra por meio de outras pessoas; por meio dos acontecimentos tão repletos dos gestos divinos; das provações de cada hora; mas, sobretudo, é claro, pela Escritura Sagrada ouvida na Liturgia que é o lugar privilegiado no qual Deus se faz ouvir; e, ainda, na conversa pessoal com ele numa leitura bíblica individual. Tanto isto é verdade que a mesma passagem da Bíblia cada vez que é refletida traz novas mensagens para a alma de acordo com suas necessidades naquele momento. O citado Santo Agostinho lia e relia muitas vezes certos trechos da Bíblia para que pudesse entender o que Deus lhe queria comunicar. Quem assim procede percebe a reciprocidade da parte do Espírito Santo que exige uma persistência em querer discernir sua luz que ilumina, guia e salva. Desenvolve-se desta maneira uma amizade pessoal com Deus, a capacidade de perceber as minúcias de seus recados, que, muitas vezes, parecem interpelações que cumpre sejam analisadas. Elas dizem a respeito a nós mesmos, aos que estão em nosso derredor e à nossa relação com Ele. Por tudo isto, cumpre que se viva na presença de Deus que quer falar a cada um a cada instante num colóquio repleto de luzes, mas tantas vezes exigente, provocador, requerendo sempre um esforço maior em busca da própria santificação e da do próximo. Com efeito, o ato de escutar a Palavra que gera a fé é não só a escuta da palavra escrita, mas também a escuta da palavra interior pronunciada pelo Espírito Santo no íntimo da consciência. Isto supõe evidentemente empenho existencial que envolva todas as potencialidades humanas, uma vez que é Deus que quer agir em cada um e com cada um. No Evangelho Cristo compara a sua palavra a uma semente que produz mais ou menos abundantemente de acordo com a qualidade do terreno. Esta palavra segundo a Carta aos Hebreus é como a “espada de dois gumes” que “penetra até dividir alma e espírito, junturas e medulas. Ela julga as disposições e as intenções do coração” (Hb 4,12). Eis por que sempre que ouvida com humildade ela é transformante, operando uma cristificação radical Donde ser necessária sempre a atitude de Maria que disse ao Anjo: “Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). O efeito da Palavra de Deus depende, assim, do empenho de cada um sempre aberto ao diálogo com o Criador. É preciso deixar que a Palavra se apodere inteiramente do coração que vai assim ao encontro com as Pessoas divinas, ou seja, ao diálogo inefável da dileção profunda na qual se responde sinceramente a Deus que fala e que exige uma atitude obediencial. Por este acatamento é que a alma se torna terra boa, produzindo fruto cem por um!
Conêgo José Geraldo Vidigal
Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos
fonte:http://www.comshalom.org/formacao
Na parábola do semeador Jesus mostrou como há diversas maneiras de se receber a palavra de Deus, que ele compara com uma semente. Segundo Santo Agostinho, “escutar a palavra de Deus é como se alimentar de Cristo”. Ele explicava que há duas mesas na Igreja: a mesa da Eucaristia e a mesa da Palavra. Com isto ele patenteava que a Palavra de Deus é um alimento espiritual. Quem bem se nutria desta refeição santificadora era Maria, a irmã de Marta e Lázaro, elogiada por Jesus pelo fato de O escutar atentamente, deixando todos os outros afazeres.
Aliás, o próprio Cristo aconselharia: “Procurai, antes de tudo o reino de Deus e tudo mais vos será dado em acréscimo” (Mt 6,33). Portanto, estar atento à Palavra constitui a melhor parte da vida do batizado. Ao deixar Deus entrar na mente pela sua Palavra, meditando-a profundamente e fazendo dela a força e o sustentáculo de cada instante o cristão age menos pela emoção, mas solidificado em profundas raízes espirituais. Isto porque há então uma conexão admirável dos esforços humanos com o pensamento divino e se colhe um fruto tanto mais saboroso, quanto maior for a docilidade em se acatar as inspirações celestes advindas da Palavra. A grande questão é saber discernir a voz de Deus da voz humana. Ele fala a cada um de maneira diferente. Faz ressoar a sua Palavra por meio de outras pessoas; por meio dos acontecimentos tão repletos dos gestos divinos; das provações de cada hora; mas, sobretudo, é claro, pela Escritura Sagrada ouvida na Liturgia que é o lugar privilegiado no qual Deus se faz ouvir; e, ainda, na conversa pessoal com ele numa leitura bíblica individual. Tanto isto é verdade que a mesma passagem da Bíblia cada vez que é refletida traz novas mensagens para a alma de acordo com suas necessidades naquele momento. O citado Santo Agostinho lia e relia muitas vezes certos trechos da Bíblia para que pudesse entender o que Deus lhe queria comunicar. Quem assim procede percebe a reciprocidade da parte do Espírito Santo que exige uma persistência em querer discernir sua luz que ilumina, guia e salva. Desenvolve-se desta maneira uma amizade pessoal com Deus, a capacidade de perceber as minúcias de seus recados, que, muitas vezes, parecem interpelações que cumpre sejam analisadas. Elas dizem a respeito a nós mesmos, aos que estão em nosso derredor e à nossa relação com Ele. Por tudo isto, cumpre que se viva na presença de Deus que quer falar a cada um a cada instante num colóquio repleto de luzes, mas tantas vezes exigente, provocador, requerendo sempre um esforço maior em busca da própria santificação e da do próximo. Com efeito, o ato de escutar a Palavra que gera a fé é não só a escuta da palavra escrita, mas também a escuta da palavra interior pronunciada pelo Espírito Santo no íntimo da consciência. Isto supõe evidentemente empenho existencial que envolva todas as potencialidades humanas, uma vez que é Deus que quer agir em cada um e com cada um. No Evangelho Cristo compara a sua palavra a uma semente que produz mais ou menos abundantemente de acordo com a qualidade do terreno. Esta palavra segundo a Carta aos Hebreus é como a “espada de dois gumes” que “penetra até dividir alma e espírito, junturas e medulas. Ela julga as disposições e as intenções do coração” (Hb 4,12). Eis por que sempre que ouvida com humildade ela é transformante, operando uma cristificação radical Donde ser necessária sempre a atitude de Maria que disse ao Anjo: “Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). O efeito da Palavra de Deus depende, assim, do empenho de cada um sempre aberto ao diálogo com o Criador. É preciso deixar que a Palavra se apodere inteiramente do coração que vai assim ao encontro com as Pessoas divinas, ou seja, ao diálogo inefável da dileção profunda na qual se responde sinceramente a Deus que fala e que exige uma atitude obediencial. Por este acatamento é que a alma se torna terra boa, produzindo fruto cem por um!
Conêgo José Geraldo Vidigal
Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos
fonte:http://www.comshalom.org/formacao
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Mensagem Bíblica
15 de junho de 2010
Os cristãos é que devem se adaptar ao Evangelho e não o Evangelho aos cristãos e isso em qualquer parte do mundo
Uma falsa visão da mensagem bíblica é que se percebe na declaração de muitos sobre a Igreja no atual contexto histórico. Quem estuda a História verá que, em todos os tempos, há aqueles que contemplam a Instituição estabelecida por Cristo à beira do abismo. São os alarmistas aos quais falta uma análise profunda dos acontecimentos desde a era apostólica.
Não se pode julgar a situação da Igreja apenas a partir desta ou daquela região e daí se concluir sobre o seu futuro sombrio, mesmo porque em tantas outras regiões o surto religioso é intenso, multiplicando-se, inclusive, nelas as vocações sacerdotais e religiosas. Isso sem se ter em conta que o apostolado dos leigos é hoje também uma realidade fulgente. Dizer que a linguagem da Igreja é moralizante é querer abolir os Dez Mandamentos.
Quem penetra fundo nos escritos do saudoso Papa João Paulo II e do Papa Bento XVI jamais dirá que empregam uma maneira de se comunicar obsoleta, anacrônica e repetitiva, pois são escritos de Papas sadiamente modernos em suas expressões e colocações teológicas. Reformular o Evangelho é impossível e os sucessores de Pedro são fiéis ao que disse Nosso Senhor Jesus Cristo: “Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram” (Mt 7,13). Dizer que a fé atualmente é na Igreja muito cerebral, abstrata, dogmática e se dirige muito pouco ao coração e ao corpo é um grave equívoco. Com efeito, por ser a fé firme adesão à Palavra de Deus, supondo aceitação, obediência e fidelidade, ela guia o agir humano, mas não a partir de um sentimento cordial.
Cristo foi muito claro: “Não é aquele que diz Senhor, Senhor, que entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade do Pai que está nos céus” (Mt 7,21). São Tiago é taxativo: “Que aproveitará, irmãos meus, se alguém tem fé e não tem obras?… Poderá mesmo alguém dizer: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras” (Tg 2,18). A fé não é um ato isolado, mas determina a vida moral do homem.
A fé é exigente. Crer na Palavra de Deus é aceitar sem restrições o que Ele revelou e isso requer uma decisiva opção moral firme, decidida. A conduta deve ser coerente com aquilo que se crê. Observa padre Leonel Franca: “O obstáculo principal à fé não está nas dificuldades intelectuais que ela suscita, mas nos sacrifícios que impõe”. Uma das causas do ateísmo no mundo de hoje é exatamente o paradoxo que existe entre aquele que se diz crente e o que ele pratica. O fato de muitos migrarem para cultos orientais ou seitas que não exigem a obediência da fé é justamente porque muitos são os que querem uma religião pão-de-ló e não aquela pregada por Cristo: "Jesus disse a seus discípulos: Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me" (Mt 15,24).
Então os ditames do Magistério, repetidos à saciedade, sobre o matrimônio, a contracepção, o aborto, a eutanásia, a homossexualidade, as segundas uniões matrimoniais, não dizem mais nada àqueles que aboliram por conta própria os Mandamentos de Deus e os claros ensinamentos de Cristo. Não é possível dar um tratamento pastoral, sociológico, psicológico e humano a estas questões batendo de frente com as determinações divinas. Os cristãos é que devem se adaptar ao Evangelho e não o Evangelho aos cristãos e isso em qualquer parte do mundo. O fenômeno do ateísmo no mundo moderno não pode ser tratado de uma maneira epidérmica e hoje a religiosidade é um fato inegável por parte daqueles que não procuram na negação de Deus um apoio para seus desvios morais e uma licenciosidade calamitosa.
Os profetas do caos inclusive anunciam que a vitalidade incontestável da Igreja no Terceiro Mundo é equívoca e já prenunciam sua derrocada. Ao contrário, estas novas realidades eclesiais são expressão viva da perene juventude da Igreja, desta Igreja cuja perenidade está, de fato, garantida por seu Fundador: “As portas do inferno jamais prevalecerão contra ela” (Mt 15,18).
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos
Fonte: Canção Nova
15 de junho de 2010
Os cristãos é que devem se adaptar ao Evangelho e não o Evangelho aos cristãos e isso em qualquer parte do mundo
Uma falsa visão da mensagem bíblica é que se percebe na declaração de muitos sobre a Igreja no atual contexto histórico. Quem estuda a História verá que, em todos os tempos, há aqueles que contemplam a Instituição estabelecida por Cristo à beira do abismo. São os alarmistas aos quais falta uma análise profunda dos acontecimentos desde a era apostólica.
Não se pode julgar a situação da Igreja apenas a partir desta ou daquela região e daí se concluir sobre o seu futuro sombrio, mesmo porque em tantas outras regiões o surto religioso é intenso, multiplicando-se, inclusive, nelas as vocações sacerdotais e religiosas. Isso sem se ter em conta que o apostolado dos leigos é hoje também uma realidade fulgente. Dizer que a linguagem da Igreja é moralizante é querer abolir os Dez Mandamentos.
Quem penetra fundo nos escritos do saudoso Papa João Paulo II e do Papa Bento XVI jamais dirá que empregam uma maneira de se comunicar obsoleta, anacrônica e repetitiva, pois são escritos de Papas sadiamente modernos em suas expressões e colocações teológicas. Reformular o Evangelho é impossível e os sucessores de Pedro são fiéis ao que disse Nosso Senhor Jesus Cristo: “Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram” (Mt 7,13). Dizer que a fé atualmente é na Igreja muito cerebral, abstrata, dogmática e se dirige muito pouco ao coração e ao corpo é um grave equívoco. Com efeito, por ser a fé firme adesão à Palavra de Deus, supondo aceitação, obediência e fidelidade, ela guia o agir humano, mas não a partir de um sentimento cordial.
Cristo foi muito claro: “Não é aquele que diz Senhor, Senhor, que entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade do Pai que está nos céus” (Mt 7,21). São Tiago é taxativo: “Que aproveitará, irmãos meus, se alguém tem fé e não tem obras?… Poderá mesmo alguém dizer: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras” (Tg 2,18). A fé não é um ato isolado, mas determina a vida moral do homem.
A fé é exigente. Crer na Palavra de Deus é aceitar sem restrições o que Ele revelou e isso requer uma decisiva opção moral firme, decidida. A conduta deve ser coerente com aquilo que se crê. Observa padre Leonel Franca: “O obstáculo principal à fé não está nas dificuldades intelectuais que ela suscita, mas nos sacrifícios que impõe”. Uma das causas do ateísmo no mundo de hoje é exatamente o paradoxo que existe entre aquele que se diz crente e o que ele pratica. O fato de muitos migrarem para cultos orientais ou seitas que não exigem a obediência da fé é justamente porque muitos são os que querem uma religião pão-de-ló e não aquela pregada por Cristo: "Jesus disse a seus discípulos: Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me" (Mt 15,24).
Então os ditames do Magistério, repetidos à saciedade, sobre o matrimônio, a contracepção, o aborto, a eutanásia, a homossexualidade, as segundas uniões matrimoniais, não dizem mais nada àqueles que aboliram por conta própria os Mandamentos de Deus e os claros ensinamentos de Cristo. Não é possível dar um tratamento pastoral, sociológico, psicológico e humano a estas questões batendo de frente com as determinações divinas. Os cristãos é que devem se adaptar ao Evangelho e não o Evangelho aos cristãos e isso em qualquer parte do mundo. O fenômeno do ateísmo no mundo moderno não pode ser tratado de uma maneira epidérmica e hoje a religiosidade é um fato inegável por parte daqueles que não procuram na negação de Deus um apoio para seus desvios morais e uma licenciosidade calamitosa.
Os profetas do caos inclusive anunciam que a vitalidade incontestável da Igreja no Terceiro Mundo é equívoca e já prenunciam sua derrocada. Ao contrário, estas novas realidades eclesiais são expressão viva da perene juventude da Igreja, desta Igreja cuja perenidade está, de fato, garantida por seu Fundador: “As portas do inferno jamais prevalecerão contra ela” (Mt 15,18).
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos
Fonte: Canção Nova
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